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Propaganda Eleitoral no Rádio: 10 dicas

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Sobre: Economista pela Universidade Federal de Viçosa e fundador do Instituto OPUS. Especialista em pesquisas de opinião pública, mercado e cliente oculto.

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O rádio não deve ser subestimando na campanha eleitoral. Embora a televisão seja o principal meio de comunicação política no Brasil, a propaganda no rádio tem vantagens e características que o credenciam como uma importante ferramenta estratégica em qualquer eleição.

Confira os dez princípios básicos dessa poderosa ferramenta.

Programa eleitoral rádio

Programas de rádio são feitos para serem ouvidos

Programas de rádios são escritos para serem ouvidos.  Devemos evitar palavras difíceis, antigas e de pronuncia rebuscada. Estrangeirismos também devem ser evitados.

O ideal, é que o texto seja escrito como se fala.

Use pessoas acostumadas a escrever para o rádio. Dê preferência a frases curtas, perguntas e diálogos. O rádio é um veículo livre, e a comunicação deve ser natural. Algo próximo a um papo entre velhos conhecidos.

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Entonação e emoção são mais importantes que o conteúdo

O rádio é intimista. Muitas vezes é a companhia do eleitor em seus momentos de solidão. Um ouvinte sintoniza uma estação no carro, quando não há ninguém ao seu lado no trabalho ou até mesmo durante o banho.

O tom deve ser de alguém que está do lado do ouvinte. Compartilhando sua intimidade.

O timbre de voz deve transmitir confiança e segurança. Deve passar a mensagem de forma agradável. Não use no rádio trechos de discursos para grandes públicos, onde o candidato fala alto ou soe eufórico.

O Rádio é o veículo da emoção

Não existe melhor formar de demonstrar como o rádio consegue trabalhar nossas emoções do que comparar uma partida de futebol transmitida pelo rádio e pela TV.

Caso você não tenha o costume de ouvir transmissões esportivas, assista esse vídeo do Marcelo Adnet com a comparação entre os dois estilos.

Você sentiu a diferença? Na televisão muitas informações são dadas visualmente. Não há espaço para uma narração mais dinâmica sem cair na redundância. O rádio deixa espaço para a imaginação, para a emoção.

Cuidado com vícios de linguagem

A comunicação política no rádio deve seguir uma linha mais coloquial e emocional. Portanto, devemos evitar que a locução seja dominada pelos cacoetes radiofônicos, que são ótimos para vender produtos e anunciar músicas, mas podem não soar bem ao tratar de um assunto importante como o futuro do município.

Você consegue imaginar uma locução política neste estilo?

Use os efeitos sonoros com parcimônia

Os efeitos sonoros são o tempero de uma produção radialista. Portanto, os use com cuidado. Use efeitos associados ao estilo da propaganda, que evoquem uma mensagem.

Nunca de forma a competir com o texto principal.

O rádio trabalha com a imaginação do ouvinte, como um contador de histórias. Os efeitos devem auxiliar nessa construção da visualização mental. Nunca ser a mensagem em si.

O rádio é a casa da música

A música é do rádio. É seu habitat natural. É o veículo de excelência para a divulgação de jingles de campanha. E aqui pegamos uma máxima da comunicação televisiva: a repetição. Os ouvintes devem ser capazes de cantarolar os jingles quase que sem perceber.

Uma trilha sonora de bom gosto pode contribuir para criar um clima positivo para a comunicação de campanha. Mas não se esqueça, a música é um recurso a serviço da mensagem. Nunca a mensagem em si.

radio campanha eleitoral

Evite um formato 100% político

Evite um formato ostensivamente político na sua comunicação radiofônica. Muitos eleitores desligam o rádio ou mudam para outras mídias, como CDs ou pendrives, quando percebem que trata de uma propaganda política maçante.

Nesse aspecto os primeiros elementos da propaganda são cruciais.

 Nos primeiros segundos tente conquistar o ouvinte com peças que não são abertamente eleitoreiras. Uma vez que o eleitor ouve os primeiros 15 segundos, a chance de continuar sintonizado até o final é maior. Para prender a atenção do espectador, seguem algumas dicas:

  • Use uma música de abertura instrumental e agradável, com um tema atraente. Sem insinuação política. A ideia é prender o ouvinte por alguns segundos.
  • Comece com uma pergunta. As pessoas tendem a ficar curiosas e interessadas em conhecer a resposta.
  • Use formatos conhecidos do público, como mesa redonda ou noticiário. Algo que seja familiar ao ouvinte.

Tenha cuidado ao usar o candidato

Não banalize o candidato, o transformando num locutor ou apresentador de programas. Sempre que o mesmo fizer parte de uma peça, trate-o com deferência e respeito. Como um convidado especial.

Se o postulante for “bom de rádio” o utilize com mais frequência, dentro das características do veículo. Nunca o use para fazer ataques. Evite retransmissões de discursos ou trechos gravados.

Se o aspirante tiver dificuldades com a comunicação no rádio, ou caso sua voz não seja agradável aos ouvidos, use-o de forma muito econômica e seletiva.

Treine-o bem, grave várias vezes, corrija erros e limite sua fala ao indispensável. Não deixe ir ao ar nada que esteja abaixo de seu padrão de qualidade.

dicas propaganda política radio

O rádio é estratégico

Guarde para o rádio sua propaganda mais agressiva. O emissor de uma propaganda no rádio é menos visível. Com uma simples mudança de locutor ou abertura é possível se desvencilhar completamente da imagem do programa anterior.

Muitos ouvintes irão se lembrar da mensagem, mas terão dificuldades em identificar o responsável.

Utilize o rádio para tirar o foco do seu adversário, para levantar dúvidas ou suspeitas. Reserve o espaço da televisão para transmitir uma imagem “presidenciável” do candidato.

Você tem 15 segundos para ganhar o eleitor

Esse desafio é permanente. Especialmente se a sua gravação abre o hoário eleitoral. Não existe audiência fixa de programas políticos, assim como não existe voto garantido antes da eleição.

É um dever do produtor de rádio fisgar o eleitor, despertar sua curiosidade, falar de assuntos da vida real. Se aproxime do ouvinte. Destoe a sua produção da mesmice dos outros candidatos. Lembre-se: esses 15 segundos podem ser o único contato do eleitor com a comunicação de campanha.

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