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O Eleitor Brasileiro Médio

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Sobre: Economista pela Universidade Federal de Viçosa e fundador do Instituto OPUS. Especialista em pesquisas de opinião pública, mercado e cliente oculto.

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O perfil do eleitor médio no Brasil é de fácil assimilação. É desinformado, desinteressado e pouco participativo. Não mais que 20% da população acompanha com frequência o noticiário político.

As explicações para essa constatação são diversas. Talvez a mais gritante seja o eterno descrédito dos governantes com seus governados, que desde a primeira república nacional são vistos como elitistas, corruptos e despreparados.

Por outro lado, parece haver uma cultura local tão preconceituosa com a classe política, que os expoentes não são atraídos para as atividades governamentais, alimentando um ciclo vicioso de representantes de baixa qualidade.

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Também contribui para o baixo interesse da população o alto custo de acompanhar as notícias de Brasília. Esse custo é expresso em tempo e dinheiro.

Um noticiário político completo, com denúncias, análises e comentários demanda pelo menos 1 hora. Além de estar disponível geralmente em jornais pagos ou canais de televisão por assinatura.

Até mesmo a localização da capital federal dificulta o engajamento da população. Longe dos maiores centros urbanos, Brasília dificulta a aglomeração e os protestos, distancia a população dos bastidores políticos e a afasta os eleitores do governo central.

Tal combinação resulta em uma baixa atribuição de prioridade para a política. Os indivíduos preferem alocar seus recursos escassos em atividades aparentemente mais gratificantes, como o trabalho, lazer, relacionamentos e bem-estar.

O Eleitor médio não pode ser subestimado

Apesar da baixa participação política, o eleitor médio não pode ser subestimado. Afinal, é dele que provém os sufrágios necessários para qualquer eleição.

Durante o período eleitoral, quando são cortejados por todos os candidatos, bombardeados por propagandas políticas e obrigados a comparecer na urna de votação, o eleitor acaba dedicando alguma fração do seu tempo a política.

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Em meio ao caos de uma corrida política, o eleitor irá tomar uma decisão final. Irá depositar sua confiança em um dos diversos candidatos que o abordaram. E com base em todo o material que teve contato, tomará uma atitude racional baseada na baixa informação que possui.

É fundamental mapear o território a ser trabalhado e conhecer os adversários e seus discursos. Não prometer mais do que o eleitor sabe que determinada posição é capaz de entregar.

Um candidato a deputado não tem capacidade de sozinho mudar todo o sistema político, e no subconsciente o eleitor sabe disso. Mas esse mesmo postulante pode oferecer um discurso duro contra aumento de impostos, a favor das minorias ou buscar emendas parlamentares para a região.

Essas, atividades típicas dos parlamentares podem ter boa aderência junto aos votantes.

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