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Como planejar o início de uma campanha para deputado

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Sobre: Economista pela Universidade Federal de Viçosa e fundador do Instituto OPUS. Especialista em pesquisas de opinião pública, mercado e cliente oculto.

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Campanhas eleitorais são dispendiosas em termos de tempo, dinheiro e esforço. Todos os agentes envolvidos em uma corrida sabem dos sacrifícios necessários, e uma das poucas unanimidades no meio é a necessidade de um planejamento minucioso para os longos meses que envolvem a construção de uma candidatura.

A campanha para deputado no Brasil tem suas particularidades.

Concorre-se em todo o estado, e contra candidatos do seu próprio grupo político, em uma espécie de canibalismo eleitoral. Embora haja certo regionalismo na escolha dos candidatos, existe um significativo número de concorrentes lambe-lambe, quem mesmo sem vínculo com a região, conseguem entre 100 e 3.000 votos nas principais cidades.

Neste complexo jogo de xadrez, leva vantagem os que possuem as melhores estratégias, os que adotam posturas condizentes com os anseios do eleitorado, e principalmente, seguirem com foco e determinação os objetivos estratégicos definidos.

Vamos enumerar alguns dados fundamentais que precisam ser levantados e analisados no momento subsequente a decisão de uma candidatura ao legislativo.

Votação necessária para Deputado

Planejar Campanha Deputado

É fundamental que se trabalhe com uma meta de votação realista. Dentro da experiência eleitoral da OPUS Pesquisa & Opinião, já trabalhamos com candidatos que tinham uma meta de votação inferior ao mínimo necessário.

Embora possa parecer absurdo, muitas vezes uma corrida para o legislativo é parte de uma estratégia maior, como por exemplo uma eleição para prefeito.

Outra vezes o candidato reconhece as dificuldades de assumir um assento logo na primeira eleição disputada, mas pretende utilizar o recall político na próxima corrida. O fundamental é a meta seja REALISTA.

Uma vez definida a expectativa de votação, partimos para o próximo passo, a definição da área geográfica de campanha.

Área de campanha

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Como discutimos acima, embora a corrida legislativa ocorra em todo o estado, é fundamental que a campanha foque em algumas regiões. Nos planejamentos realizados pela OPUS, geralmente trabalhamos com blocos de municípios baseados nas microrregiões do IBGE. Contudo, isso não é uma regra, e no seu planejamento, você pode utilizar municípios avulsos ou até mesmo as mesorregiões do seu estado.

Uma possibilidade é atribuir pesos diferentes a cada cidade, separando-as, por exemplo, em dois grupos: Amplo e Foco de Campanha, com objetivos diferentes com base nos grupos políticos de cada municipalidade, população, concorrentes, entre outras variáveis.

Definida a área de atuação da campanha, o próximo passo é aferir quantos votos existem nos municípios selecionados, quantos por cento desses eleitores você precisa para atingir sua meta de votação, e qual o desempenho dos principais candidatos da região na última eleição.

Na prática, funciona da seguinte forma: Definimos por exemplo 15 municípios para o foco de campanha e cerca de 40 para o grupo amplo. Somando todos os municípios foco, temos, neste exemplo, 430 mil eleitores aptos a votar. No grupo amplo temos 3,5 milhões de eleitores.

Uma campanha com meta de 50 mil sufrágios, precisaria de 1,43% dos votos do grupo amplo ou 11,63% dos votos do grupo de foco. Se nas eleições anteriores algum candidato conseguiu tal feito, então temos uma meta viável.

Pesquisas Eleitorais

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Sempre vemos na mídia o resultado de pesquisas eleitorais para eleições majoritárias, como por exemplo para presidente, governador, senador ou prefeito. É raro que haja divulgação de pesquisas relacionadas à situação dos deputados. A principal razão é que os cargos do executivo são mais midiáticos, possuem um número menor de concorrentes e são mais simples de interpretar: vence o candidato com mais votos.

Uma pesquisa para um cargo do legislativo, com exceção do senado, é mais complexa, uma vez que um candidato bem votado geralmente não consegue mais que 3% dos votos válidos, o que é muitas vezes inferior à margem de erro do levantamento.

Estatisticamente falando, em uma pesquisa com margem de erro de 5 pontos percentuais, um candidato apontado pelo levantamento com 3% de intenção, pode ter na prática entre 0% e 8% dos votos, extremos que representam um absoluto fracasso ou um fenômeno eleitoral.

Isso significa que as pesquisas não são relevantes para um candidato a deputado? De maneira alguma. Mas neste caso o levantamento deve ser pensado para que sejam geradas informações estratégicas, e não apenas um retrato de baixa acurácia da corrida até o momento.

As pesquisas de opinião pública para deputado devem ser conduzidas nos municípios onde o candidato foi majoritário na eleição anterior e nas localidades onde espera uma boa votação proporcional.

De maneira geral, é interessante que o candidato a deputado conduza pesquisas eleitorais nas cidades onde a expectativa de votação é superior a 15% dos votos válidos. Neste cenário, as pesquisas já possuem acurácia suficiente para aferir a situação local e traçar estratégias vencedoras.

No questionário devem conter questões relativas à visão do papel de um legislador na sociedade, conhecimento e rejeição aos principais candidatos, lembrança do último voto proferido para o cargo, aprovação ou reprovação das atividades parlamentares, ideologia política, meios de comunicação mais utilizados, influência familiares no voto, entre outras questões.

Uma campanha robusta conta, geralmente, com no mínimo três pesquisas ao longo do ano eleitoral. Note que, apesar do período oficial de campanha começar 45 dias antes do pleito, a campanha muitas vezes começa no ano anterior, com a busca cada vez mais ávida por exposição nos meios de comunicação.

Com dados qualitativos acerca do eleitorado, o núcleo da campanha pode traçar estratégias de comunicação alinhadas com os anseios populares, focar em áreas críticas, buscar espaço nas mídias que efetivamente chegam aos eleitores. Pesquisas de opinião são a peça fundamental da construção da estratégia política, especialmente para deputados.

Concorrentes

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Outro passo importante é a identificação dos principais concorrentes no pleito. O lugar ideal para começar esta etapa do planejamento de campanha é o site do Tribunal Superior Eleitoral.

No portal, é possível acessar dados de todas as eleições recentes, com votações estratificadas por estado, mesorregião, microrregião e município. Uma dica é verificar quais candidatos foram bem votados na área de abrangência da campanha, incluindo nesta análise eleitos e não eleitos.

Dentre os políticos eleitos, é interessante aferir quão importante é determinada região no seu desempenho eleitoral. A conta é simples. Caso você esteja trabalhando com base nas microrregiões do IBGE, é só dividir a votação em cada uma delas pelo total de votos nominais recebidos pelo candidato. Se a região que você pretende trabalhar com a sua candidatura tem importância para determinado deputado eleito, espere uma competição acirrada pelos votos locais.

No conjunto de candidatos que não conseguiram uma cadeira, mas que tiveram boa votação, é importante descobrir quais possuem intenção de concorrer novamente, quem são os apoios regionais, e o histórico dos mesmo em todas as eleições disputadas (O número de votos sempre aumenta entre as eleições ou está estagnado?)

Quais são as bandeiras e apoiadores de cada um dos principais candidatos? Eles têm autoridade para levantar as discussões que se propõem? Essas são apenas algumas das perguntas que devem ser respondidas pelos coordenadores de campanha.

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